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sábado, 19 de junho de 2010

** ARTIGO: A GRAMÁTICA E SUAS IMPLICATURAS

A GRAMÁTICA E SUAS IMPLICATURAS

Eliane Silveira Gonçalves

Tenho por objetivo tentar explicar que a gramática e suas implicaturas podem desmistificar o pavor que temos dessa parte que estabelece regras para a nossa língua , uma vez que, ao simples fato de falarmos ou lermos o tema gramática uma carga elétrica nos corre pela espinha! No conceito de gramática aprendemos que se trata de um conjunto de regras que usamos para falar e escrever nosso idioma de forma correta, diferenciando assim da forma falada, pois sabemos que escrevemos de uma forma e falamos de outra. Deve ser daí o medo de tocar nesse assunto. Por outro lado, nos colocamos a questionar por que estudar a nossa própria língua se já nascemos aptos a entendê-la? Não parece redundante estudar Língua Portuguesa se é esse o nosso idioma?
Palavras-chave: Gramáticas, Competência Comunicativa, Diversidade Lingüística.

1 INTRODUÇÃO
Em um primeiro momento podemos pensar, a grosso modo, que o estudo da gramática nada mais é do que uma disciplina que procura estabelecer o certo e o errado nas práticas discursivas de uma dada língua. Segundo o Dicionário Michaelis : Gramática .1 Estudo sistemático dos elementos constitutivos de uma língua (sons, formas, palavras, construções e recursos expressivos). 2 Livro em que se expõe esse estudo sistemático. Arte de exprimir corretamente os pensamentos, quer falando, quer escrevendo. (...)

Porém sabemos que é muito mais do que isto. Mesmo que nascemos já conhecendo e reconhecendo instintivamente as formas da nossa língua materna precisamos ter o conhecimento de regras que serão importantes para a nossa escrita e fala de modo culto.

Para isso temos a gramática normativa, a gramática descritiva e a internalizada para nortear nosso estudo gramatical de nossa língua/idioma. Mesmo que nos pareça redundante estudar o que já sabemos subjetivamente desde que nascemos, é na produção de texto, enquanto o escritor monitora a própria escrita para assegurar sua adequação, coerência, coesão e correção, que ganham utilidades os conhecimentos sobre os aspectos gramaticais.

2 GRAMÁTICAS

Uso o termo “gramáticas” porque são no mínimo três os tipos que conhecemos ou deveríamos conhecer de gramática. A gramática normativa é a modalidade de gramática que se preocupa em preservar as formas lingüísticas da alta literatura de uma língua, e assim prescreve normas de uso da linguagem que atinjam esse efeito. Em suma, prescreve normas de uso correto da língua com base no estilo literário considerado de tipo culto. Já a gramática descritiva se preocupa, como o nome já diz, em descrever o uso da língua pelos falantes no seu dia-a-dia, ou seja, a língua como ela é, com suas variantes cultas, padrão e popular, os usos dos falantes no dia-a-dia, e a internalizada é o conjunto de regras que o falante domina conhecimentos/usos lingüísticos dos falantes, com regras implícitas (sem que se tenha consciência delas, muitas vezes).


2.1 GRAMÁTICA NORMATIVA

Já sabemos que esta gramática é a responsável pelo que é certo e errado na escrita da nossa língua e esta deve ser concebida como um manual com regras de bom uso da língua a serem seguidas por aqueles que querem se expressar adequadamente, ou seja, um conjunto sistemático de normas para

bem falar e escrever, estabelecidas pelos especialistas. Ou seja, o porque que “para mim fazer” está errado, o correto é “para eu fazer”.

Sendo assim, saber gramática significa conhecer essas normas e dominá-las. Portanto, limita a língua à variedade dita padrão, ou culta, sendo todas as outras formas de uso da língua consideradas desvios, erros, deformações da língua. A descrição dessa variedade, considerando erro, ou construção agramatical, o que não está de acordo com o que é usado nela, ignora as características da língua oral ao depreciar outras variedades da língua com base em fatores não estritamente lingüísticos, cria preconceitos de toda espécie.

2.2 GRAMÁTICA DESCRITIVA

As gramáticas descritivas estão ligadas a uma determinada comunidade lingüística e reúnem as formas gramaticais aceitas por estas comunidades. Como a língua sofre mudanças, muito do que é prescrito na gramática normativa já não é mais usado pelos falantes de uma língua. A gramática descritiva não tem o objetivo de apontar erros, mas sim identificar todas as formas de expressão existentes e verificar quando e por quem são produzidas.

Pensando nas teorias gramáticas citadas, discutem-se as diferenças entre língua falada e língua escrita. Identifica-se o português padrão estudado nas escolas com o português escrito, uma variante da língua que, pelo menos no Brasil, não chega a ser falada por segmento algum da população. Por exemplo, nem mesmo o Presidente da República, no conforto de seu lar, ao conversar com os seus familiares, utiliza sentenças típicas do português padrão como “eu o vi”; pois, no português falado no Brasil, utiliza a sentença “eu vi ele”. A fórmula lingüística considerada a norma culta foi adotada como uma convenção nas reuniões periódicas entre Portugal e o Brasil que discutem a ortografia e a gramática do português escrito.

2.3 GRAMÁTICA INTERNALIZADA

A gramática implícita (ou internalizada) é definida como o conjunto de regras que o falante domina. É o conhecimento lexical e sintático-semântico que o falante possui e que permite que ele entenda e produza frases em sua língua.

A existência de uma gramática internalizada pode ser observada por dois fatos lingüísticos: o primeiro é a criança produzir formas não usadas por falantes adultos. Por exemplo, é comum a criança utilizar a conjugação dos verbos regulares (comi, escrevi) para os verbos irregulares (fazi, di, trazi).Este fato demonstra que ela tem uma regra internalizada para o uso de verbos, porém, por não conhecer as exceções (os irregulares), aplica a regra a todos os verbos.


3 COMPETÊNCIA COMUNICATIVA

Em que a competência comunicativa tem a ver com as aulas de português nas salas de aula com professores que, além de falar errado, não tem a menor vontade de estabelecer com seus alunos uma capacidade de empregar adequadamente a língua nas diversas situações de comunicação? Segundo Lubke (apud BECHARA. p. 71. 2007): “ A grande missão do professor de língua materna é transformar seu aluno num poliglota dentro da sua própria língua.” Mas, para isso, é preciso que ele, o professor seja ou não de língua portuguesa goste e tenha a intenção de formar seus alunos em verdadeiros “poliglotas” de sua língua sendo falada ou escrita.

Eu tenho vivenciado nas salas de aula onde sou professora de apoio pedagógico, professores que além de escrever errado, falam errado, e muito pior, não se preocupam com isso, não se preocupam que eles são exemplos para seus alunos e que assim não poderão exigir deles escrita ou fala correta.

A competência comunicativa não se desassocia de outras duas competências que são: competência gramatical ou lingüística e a textual. E também é correto dizer que um aluno que venha do norte de nosso país consiga entender todas as palavras, ou expressões, que teremos no sul, por exemplo, uma vez que sabemos que dentro da nossa língua materna há muitas outras variações como os dialetos de cada região. Mas nem por isso ele deixará de ter também a sua competência comunicativa intrínseca.

4 DIVERSIDADE LINGUÍSTICA

A diversidade lingüística tem a ver com a variedade de dialetos que se pode encontrar dentro de um mesmo idioma, uma mesma língua materna. Nenhuma língua é falada igualmente em todos os lugares.

Alguns fatores contribuem para essa diversidade, seja regional, uma vez que, em cada região de um mesmo país temos diversas maneiras de falar ou escrever o nome de determinadas coisas, seja cultural, a partir do momento em que um individuo teve maior contato com as possibilidades de aprender sobre sua língua, ler textos variados e saber distinguir uma obra de arte de uma garatuja. Temos ainda fatores contextuais onde a fala pode exigir uma certa formalidade, ou não, dependendo do momento em que o individuo se encontra. E por último temos o fator natural, seja por gênero ou idade, onde os adolescentes usarão muito mais gírias que seus pais ou parentes mais idosos.

Outro fator ainda é a diferença entre língua falada e escrita, pois sabemos, que não falamos como escrevemos. Mesmo os indivíduos mais cultos de nossa sociedade não conseguem se comunicar falando do jeito que escrevem, nossa língua tem muitos vícios de linguagem e sem eles a nossa linguagem oral ficaria muito estranha e talvez até incompreensível. Segundo Lubke (p. 83. 2007):

Por outro lado, dado seu caráter social, a língua, para funcionar como veículo de comunicação entre indivíduos, tem de ser comum aos que dela se utilizam. Então, partindo desse pressuposto, muitos acreditam (e até se esforçam) para querer uniformizar o uso que se faz dela, o que gera, como drástica conseqüência, o preconceito lingüístico contra aqueles que não falam como os considerados de prestigio falam.

Quem já não ouviu algum ato de preconceito com nossos compatriotas nordestinos com sua fala cantada e carregada de sotaque nordestino, bem como os nossos compatriotas de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, enfim todos com sotaques e jeitos de escrever a mesma língua materna comum a todos de maneira diferenciada.

E temos agora em nosso cotidiano mais um desafio que é a nova reforma ortográfica, que, para que nosso idioma fique mais parecido ao idioma de Portugal, nossa língua mãe, foi feita reformas para que os países lusófonos (países que falam o mesmo idioma luso) possam unificar a escrita, mas uma coisa é certa, isso não vai tirar as diferenças dos sotaques e dialetos.

5 CONCLUSÃO

Falar em gramática e suas implicaturas não é um assunto que podemos explanar sobre todos os seus aspectos em um trabalho como este, e, é por isso, por ter muito assunto a respeito de gramática que seria necessário escrever um manual, um livro ou as tantas gramáticas que lotam as prateleiras das livrarias porque todos temos dúvidas sobre vários aspectos da nossa escrita e da nossa fala.

Mas uma coisa é certa. Há quem diga que a nossa língua é uma das mais difíceis de aprender justamente por todas as regras e variantes que possui. Ora, se essa é a nossa língua por que temos que estudar tanto pra aprender aquilo que já deveria ser natural em nós?

Mesmo as diferenças que existem tanto na fala quanto na escrita de nosso idioma em função da regionalidade, das gírias que se tornam comuns, dos dialetos, das palavras homônimas e tantas outras implicaturas que a tornam tão inacessível ao nosso conhecimento absoluto, a língua portuguesa é o nosso idioma e devemos ao menos tentar entendê-lo da melhor maneira possível.

6 REFERÊNCIAS

Dicionário Michaelis – UOL- on-line - Disponível em:http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=gramática

Lubke, C. H. Caderno de Estudos: Metodologia e Conteúdos Básicos de Língua Portuguesa. Indaial: ASSELVI, p. 71. p. 83. 2007.

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